POR QUE ZAMENHOF CRIOU O ESPERANTO?


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​Uma das mais forte razões de seu surgimento está relacionada a eventos da infância de seu autor e é de natureza extremamente humana. Zamenhof nasceu numa Polônia bastante conturbada, na época um território do Império Russo e sua cidade-natal, Bialistoque, tinha grupos falantes de diversas línguas. Em casa sua mãe dirigia-se a ele usando o ídiche (língua comum entre os judeus), já seu pai o russo (língua oficial do império), língua pela qual também se deu sua educação. Nas ruas, o polonês era a língua dominante local, assim como o alemão.


No entanto, nessa diversidade não existia numa realidade colorida, reinavam desconfianças e preconceitos. As pessoas eram definidas pelas línguas que falavam e diferentes grupos não deveriam relacionar-se. Cenas de ódio e violência eram comuns e esse cenário fez nascer questionamentos dentro do jovem Zamenhof, que se perguntava se aquele quadro não seria melhor se as pessoas falassem apenas uma língua.​


A princípio, Zamenhof considerou que todos poderiam usar o grego ou o latim, porém, logo percebeu que ninguém aceitaria. Da mesma forma, uma outra língua não seria aceita por outros povos, porque cada povo mantém o orgulho de sua cultura e idioma. Portanto, uma língua comum, necessariamente, deveria ser uma segunda língua para todos, fomentando entre os grupos a compreensão.


​Foi aí que lhe veio a ideia de criar um idioma. A criação de um idioma atendia a todas as necessidades previstas e seria necessariamente neutro. Não pertencendo a povo algum, não suscitaria reações adversas, poderia ser facilmente aceito e poria a todos em situação de igualdade. 


O Esperanto foi concebido voltado para alguns importantes aspectos, dentre eles facilidade, simplicidade e, principalmente, liberdade de uso. Diante disto, o Esperanto contou com a adesão de uma comunidade que não se restringia a meros aprendizes e interessados, contava com cientistas e escritores que em menos de uma década já produziam obras originais e traduções das mais diversas naturezas. Leão Tolstói, grande escritor russo, está entre os primeiros a aprender o idioma e Antônio Grabowski, engenheiro químico prusso, entre seus primeiros poetas.


Por este motivo, na referência especializada, os autores preferem referir-se a Zamenhof não como o criador, mas como o iniciador do Esperanto. Isto porque uma língua não pode ser criada por um único homem, já que uma língua é essencialmente fruto do uso e contribuição de diversos espíritos humanos. 


Foi neste sentido que o Esperanto se desenvolveu e tornou-se uma língua.